Sabia que ...

Sabia que ...

O fantasma das 24 horas


Em 1965 Jochen Rindt e Masten Gregory levaram o Ferrari 250 LM da NART (um 275LM na realidade, já que só o protótipo do 250LM rcebeu um motor de 3l, a seguir todos usaram um de 3,3) à vitória, no final, como habitualmente, os dois pilotos vencedores festejaram o feito. Poucos souberam (e sabem) que existiu um 3º piloto a contribuir para essa vitória. De seu nome Edward James Hugus, nascido em 1923 ma Pensylvania. Ele foi um dos maiores pilotos dos anos 50 e 60, e começou a participar em LM em 1956. Em 1957, ele e o Conde Carel de Beaufort, terminaram em 1º da classe e oitavos da geral num Porsche Spyder. Nos anos seguintes, e sempre que terminava a maratona francesa, fê-lo nos 10 primeiros.
Em 1965, durante a prova, e na fase noturna, Masten Gregory tomou o volante do Ferrari substituindo Rindt, para fazer novo turno de condução. Rindt, saiu do automóvel e foi dormir. No entanto, surgiu nevoeiro na pista de La Sarthe, e os óculos muito graduados de Gregory embaciavam constantemente, coisa que, aliada à sua grande miopia, o impedia de pilotar. Entrou novamente nas boxes para dar o lugar novamente a Rindt, só que ninguém o conseguiu encontrar. E a partir daqui começa a lenda ou a controvérsia, Ed Hugus foi o piloto que encontraram "à mão" (ele estava inscrito para a prova num outro 250LM da Nart, que entretanto desistiu de participar na corrida ainda durante os treinos, no entanto Luigi Chinetti inscreve-o como piloto de reserva da equipa Rindt/Gregory, e pelo regulamento, ele podia substituir um dos pilotos durante a corrida, com o senão de o substituído não poder voltar a pilotar) convenceram-no a entrar discretamente no 250LM da NART, e acabou, ao que se diz, por pilotar cerca de 1.30h, enquanto não encontraram Rindt, e a um ritmo elevado. Eram 4 da manhã.
Segundo a lenda, no final, Gregory e Rindt estavam a festejar e Ed encontrava-se a alguma distância do podium...
Ed Hugus morreu a 29 de Junho de 2006, um dia antes de festejar o seu 86º aniversário.
Ed escreveu uma carta assinada, que escreveu por pedido de um adepto (Hubert Baradat), a 24 de Maio de 2005, e que foi tornada pública dias antes da sua morte, e onde narra os acontecimentos de Le Mans 65.
Eis o teor da carta:
" Obrigado por me ter escrito. Muitos jornalistas dizem que no meu tempo fui o americano com maior número de quilometros em Le Mans. Não faço ideia. O facto é que em 1965 eu deveria pilotar um Ferrari 250 LM da NART. Mas o carro não ficou pronto a tempo, e Luigi colocou-me como piloto de reserva do 250 LM do Rindt e Gregory. Durante a noite, seriam 4 da manhã, Masten saiu do carro dizendo que não conseguia pilotar naquelas condições, devido ao nevoeiro e ao facto de usar óculos muito graduados,que já em condições normais o penalizava. Procuraram Rindt na box e nada. Ninguém sabia onde ele estava. Luigi virou-se para mim, pediu para colocar o capacete e entar no carro. Entrei no Ferrari e guiei cerca de 1.30h, por conta do Masten. Luigi Chinetti disse-me mais tarde que naquela noite informou os comissários da troca, no entanto, por estes estarem na parte de trás das boxes a beber uma garrafa de vinho tinto, não devem ter percebido as indicações. É a vida. Obrigado mais uma vez e espero que esta carta possa servir para alguma coisa."

Ed Hugus


Manuel Taboada

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