A edição de 2011

A edição de 2011


1 - Quarta-feira - Partida

A primeira viagem de avião

O grande dia chegou, eram 6 da manhã quando me encontrei com o Nuno Jorge nos semáforos, já estava em "pulgas", era a realização de um grande sonho, ir assistir à maior corrida de automóveis do mundo, a primeira vez que saía do pais e a primeira vez que ia andar de avião.

O voo estava marcado para as 8h30, o avião era um Airbus A320-200 da Air France, um exemplar com a primeira decoração da companhia bem ao estilo "retro".

Depois de instalado e com o cinto colocado, tive a bela sensação da aceleração de uma máquina como aquela. Após alguma turbulência normal ao atravessar as nuvens, aí estava eu, nas nuvens. Depois de sobrevoar o território nacional atravessámos Espanha com os belos Pirinéus, a seguir o Atlântico antes de chegar a França.

Já no aeroporto Charles de Gaule, tive a oportunidade de ver ao longe o colossal Concorde, um exemplar da Air-France estacionado no aeroporto. O passo a seguir era rumo a Le Mans. Para isso apanhámos o TGV na estação do aeroporto com esse destino.

A chegada a Le Mans

Eram cerca da uma da tarde local quando chegámos a Le Mans. A primeira coisa que fiz foi subir para cima de um banco por baixo da placa de identificação da estação, para uma foto, para mais tarde recordar.

Logo a seguir fomos levantar à companhia de rent-a-car um carro que nos estava destinado, um Opel Agila com pouco mais de 7000 km. Um carro esquisito, segundo o Nuno, pois as portas traseiras abriam ao contrário e não tinha travão de mão.

A chegada ao circuito

A primeira coisa a fazer na chegada ao circuito foi tratar das credenciais de imprensa. Para isso dirigimo-nos ao centro de imprensa.

Eram quase 18 horas quando "almoçámos" no bar do paddock, uma sandes e um sumo...

Ainda assistimos aos treinos da Ferrari Challenge e a parte dos treinos livres das 24 horas. Eram quase 21 horas quando fomos ao hotel "Kyriad" em La Flèche a cerca de 30 km do circuito.

"O Jantar"

Após a chegada ao hotel e desmanchada a mala fomos jantar. À hora que chegámos o hotel já não tinha refeições, mas em frente havia o restaurante "Buffalo Grill". O dia tinha sido cansativo e nada como um bom duche seguido do jantar. Ao chegarmos ao restaurante o empregado disse-nos que estavam já fechados, fechavam às 22h, foi por pouco, por pouco mais de 5 minutos. Mais adiante havia outro restaurante. Ao chegarmos lá estava também fechado. Fomos ao centro de La Flèche, com a esperança de encontrarmos algum restaurante aberto. Foi com espanto que encontrámos uma vila às moscas, não havia ninguém nas ruas, estava tudo fechado, em contraste com a confusão a que estamos habituados.

Após algumas voltas regressámos ao hotel. O hotel estava situado junto a uma rotunda, do lado oposto havia o McDonalds e pensámos "que se lixe, é melhor que nada" mas... estava fechado. Restava-nos a máquina que estava no hall do hotel. Afinal a máquina nem sandes tinha só chocolates, paciência... um chocolate e cama. Para acabar em beleza o quarto tinha cama de casal...

2 - Quinta-feira - O dia da qualificação

Zoo de La Flèche

De manhã fomos ver o Zoo de La Flèche, dos raros zoos com leões brancos, uma espécie rara, não eram albinos, mas sim uma mutação genética que fazia com que fossem totalmente brancos, o cartão de visita do próprio zoo.

Não conheço muitos zoos, só o de Lisboa, mas este não tem nada a ver, Toda a estrutura é feita em madeira com um único edifício, aproveitando o facto de estar numa encosta para reproduzir ambientes naturais. As jaulas são feitas em madeira com janelas de vidro, onde se podem ver os animais a "um palmo" de nós. O ambiente é bem recriado, quer com as arvores entretanto caidas, como por cursos de agua naturais e rochas existentes no local. Haviam ambientes realmente frios onde se podia ver um urso polar, bem como quentes com elefantes. Estes ambientes estavam controlados pela vegetação, que havia no local. Simplesmente fantástico.

Há sempre portugueses em todo o lado

Antes da qualificação fui visitar a equipa portuguesa ASM, pois tenho três amigos na equipa, O Castro, o Pedro Barros, também eles comissários no Estoril pelo MCE e o Hugo Ribeiro do site da "concorrência". Quando cheguei à parte de traz das boxes dei de caras com os dois primeiros. Sem me aperceber como estava em frente ao amigo fotógrafo Jorge Rosa. Estava na companhia de outro fotografo que me perguntou "Tu é que és o Luis Santos do site de Le Mans?" Era o António Borga que já me tinha fornecido fotos para o site, que tive a oportunidade de conhecer logo em Le Mans...

As boxes por dentro fazem lembrar as do mítico filme de Steve McQueen, com os blocos de cimento à vista.

A qualificação

A primeira zona da pista que visitei, para além do media-center onde estava como membro dos "media", do pit-lane e da zona das lojas (visitada ainda na quarta-feira) foi a chicane "PlayStation".

Fomos os dois até à chicane. Havia um parque no paddock onde se podia "apanhar" uma "navette", que é o nome a que davam a uma carrinha que transportava os fotógrafos pela pista. Ao sair do parque era lido o código de barras da credencial de quem estava no veículo, condutor e fotógrafos bem como a da própria viatura, isto servia como controlo de acessos para saberem onde estávamos.

Ao chegarmos á chicane, o som era fabuloso, ouviam-se os carros a "gritar" pela recta das Hunaudières e as reduções das mudanças ao chegar à chicane pareciam rajadas de metralhadora quando seguiam vários carros juntos, era de arrepiar, simplesmente fantástico.

O local era "estranho" mesmo sabendo que aquela zona não se tratava de um circuito permanente, mas sim de uma zona florestal com uma estrada nacional. Os acessos eram feitos por uma estrada em terra batida com muito pó. Os carros que lá estavam estacionados tinham mudado de cor... Ali perto havia um charco e o local estava impregnado de mosquitos.

Entretanto o Nuno tinha que enviar umas fotos e apanhou uma "navette" de volta ao paddock, entretanto eu apanhei outra para Mulsanne, outro local fabuloso. A sensação era idêntica, os carros a fundo até à bossa e a forte travagem para o cotovelo à direita com os carros a passarem a cerca de 3 metros de nós.

Percorri a pé a zona entre Mulsanne e Indianápolis pela floresta, Não havia maneira de passar junto à pista porque estava vedado, mas não deixou de ser fabuloso sentir o poder de aceleração obtida ali, o local mais rápido do circuito onde os protótipos LMP1 atingem velocidades superiores a 350km/h...

Entretanto tive que regressar ao media-center, já não havia luz porque a noite estava a cair e o tempo de utilização do colete a chegar ao fim.

Chegado ao média-center entreguei o colete. A noite já cerrada, já não se viam os coletes. Trazia uma camisola laranja (da cor do colete) aproveitei para fazer a pé toda a zona entre a recta da meta e a curva do karting. A zona é bonita de se ver, a imagem da bancada toda iluminada do lado esquerdo e as boxes do lado direito é fabulosa. Nas curvas Ford a roda gigante girava e o ambiente era de festa. As roulottes apinhadas e a zona de divertimentos cheias. Ao chegar de novo ao media-center comentei o facto e foi-me dito que este ano estava mau... eu estou habituado a ver o Estoril vazio, que se estava mau, nem notei...

3 - Sexta-feira - A Parada dos pilotos

Passeio por Lá Flèche e pela cidade

Sexta de manhã não havia actividades, aproveitámos a manhã para fazer a visita a La Flèche. Conhecer o local onde estávamos hospedados. A chuva ameaçava, estava cair um orvalho, mas ainda deu para fazer umas fotos do local onde existem uns edifícios muito bonitos.

Depois rumámos à cidade de Le Mans, fomos visitar a praças dos Jacobins, conhecer o centro antes da "confusão" da parada dos pilotos que iria ser de tarde. A seguir fomos ao circuito para fazermos as Hunaudières. Era a última oportunidade para conhecer a fabulosa recta e poder circular lá antes de ser fechada para a prova. É fantástico, vê-se de tudo. Parámos junto do "Auberg des Hunaudières", a berma estava cheia de gente com copos de cerveja na mão. A cada passagem de um carro, o público que enchia a berma pedia aceleradelas. Enfim o delírio era total, podia-se ver todo o tipo de carros, GT40, Ferrari GTO, um VW Carocha antigo de matrícula alemã, Mustangs etc. A cada moto era pedido "burn-outs". Houve inclusive um fulano numa mini-moto que ao passar junto dos Gendarmes pára e saca um "burn-out", foi o delírio… Nós também tivemos direito a uma ovação, quando o Nuno ao arrancar se esqueceu de carregar no pedal esquerdo, mas a ovação essa sim, foi diferente, pelo menos fomos originais…

O desfile dos pilotos no centro da cidade

Fomos ao circuito levantar o meu colete de "media" para poder fazer o desfile. Assim que estacionámos no parque "blue", o parque que nos estava destinado, o nosso Opel Agila estacionou de vez. Após ter sido desligado, pensámos em chegá-lo mais à frente e… ele recusou-se a trabalhar. Foi contactada a companhia de rent-a-car que nos enviou um mecânico, foi necessário reiniciar a electrónica e o técnico disse "la electronique c'est une merde…" afinal era só trancar, destrancar, trancar, destrancar as portas… não é por nada mas também sou da opinião do técnico…

Quando fui levantar o colete foi-me pedido para o entregar de novo no circuito caso o desfile terminasse antes das 20 horas, ou caso contrário, o entregasse de novo no circuito no dia seguinte, assim que chegasse.

Já com o carro a funcionar de novo, fomos outra vez à cidade, à praça dos Jacobins. O estacionamento estava complicado, vimos 2 lugares num parque mesmo perto da catedral e estacionámos. Nisto apareceu um jovem que estava a controlar o estacionamento, disse que não podíamos estacionar ali. Como bons tugas dissemos que nos tinham informado que o nosso parque era aquele. Ele aceitou e deixou-nos estacionar, logo de seguida veio uma rapariga que nos fez tirar o carro, que não podíamos estar ali. Tirámos o carro e ela saiu, mas estacionámos no outro lugar vago a dois carros dali e pirámo-nos…

Antes do desfile começar tivemos a oportunidade de ver de perto os pilotos e tirar-lhes algumas fotos, fotografar carros antigos, clássicos fabulosos bem como carros de outro mundo como o Bugatti Veyron. Tive a oportunidade de trocar umas palavras com o Miguel Pais do Amaral. Dos pilotos portugueses presentes este ano era o único que não conhecia e fiquei surpreendido quando me disseram que era uma pessoa muito reservada, eu pessoalmente achei-o bastante simpático e acessível. Encontrei outro "senhor Le Mans" o nosso Domingos Piedade (para quem não sabe ganhou duas vezes seguidas como director da equipa Joest em 1984 e 1985 com o mesmo carro) aceitou o meu pedido de uma foto e disse-me "Olá, você por aqui? Sempre conseguiu vir, ainda bem...". É fantástico ver como se consegue trazer o espectáculo junto das populações, as ruas estavam cheias, todos queriam ver os pilotos e pedir autógrafos.

O desfile iniciou-se com o Mazda vencedor de 1991, afinal fazia 20 anos após a única vitória de um motor rotativo em Le Mans, seguido de vários modelos como o Bugatti, o Mercedes SLS AMG, veículos híbridos e eléctricos, etc. Nos eléctricos o ponto alto foi quando o Exagon Furtiva ficou sem bateria e foi empurrado pelos elementos da segurança seguido de uma enorme vaia… De seguida surgiu o carro que transportava o troféu seguido dos pilotos.

Um único senão, fomos invadidos por uma praga de mosquitos, tantos que a minha camisola laranja que tinha vestido por causa da chuva que estava a começar a cair estava toda salpicada de preto…

4 - Sábado - O início da prova

Um puxão de orelhas

Era o grande dia, depois de tomado o pequeno almoço rumámos ao circuito, o trânsito era enorme, levámos cerca de uma hora para fazer quilómetro e meio, no meio da confusão de trânsito o Nuno num momento de desespero abre a janela e grita "Jean-Pierre isto está uma merda". No sentido oposto alguém abre a janela do carro e responde "é pá… está mesmo uma merda…" olhámos um para o outro e rimos à gargalhada, era o único carro com matrícula portuguesa no meio daquela confusão.

Eu tinha uma tarefa a fazer, devolver o colete tal como combinado. Era a primeira coisa a fazer na chegada ao circuito, mas quando chegámos já estava a decorrer a corrida da Ferrari Chalenge e levei um enorme "puxão de orelhas", pois estavam a contar com ele logo para o Warm-Up às 9, chegámos com quase 3 horas de atraso.

Não podia deixar de observar a placa em homenagem ao acidente de 1955 situada em plena recta da meta, no local exacto onde se deu a tragédia, na qual perdeu a vida o piloto da Mercedes Pierre Levegh com mais de 80 pessoas.

Outro momento alto foi a fotografia de "família" com todos os pilotos presentes à partida.

O acidente do Audi nº3

Ao assistir à largada aproveitei para conhecer toda a zona entre a recta e Tertre-Rouge. Subi à curva Dunlop e por incrível que pareça nunca me apercebi que o final da recta da meta começa numa subida em direcção ao arco Dunlop. Desci aos "esses", depois continuei até Tertre-Rouge, não pude ir mais adiante porque a zona estava vedada.

Estava em Tertre-Rouge quando me apercebi da comunicação via rádio dos comissários de um acidente grave. Logo de seguida surgiu um camião dos bombeiros em pista seguido do Safety-Car, quando questionei os comissários onde foi o acidente, eles disseram-me que tinha sido nos "esses". Fui até lá e deparei-me com muitos destroços nos caminhos interiores, fiquei surpreendido quando os comissários me disseram que o Allan McNish tinha saído pelo próprio pé, eu tinha estado lá cerca de 10 a 15 minutos antes. Tirei algumas fotos do carro e já estavam a pedir para nos afastarmos, sem ver de onde, surgiu uma manta para cobrir o carro com a intenção de não se tirarem mais fotos.

Segui para o media-center para entregar as fotos ao Nuno, que tinha ido enviar as da largada, mas ao passar pelo parque fechado assisti ao "desembarque" de um Aston Martin AMR01 que também não durou nada.

Só quando cheguei ao media-center é que me apercebi de quão arrepiante foi o acidente e que se me tivesse mantido ali talvez estivesse lá a mais...

Voltei a Tertre-Rouge e verifiquei que no local do acidente parecia não ter acontecido nada, estava limpo.

Indianápolis

Outro local fabuloso, tinha lido anteriormente que a curva de Indianápolis tinha sido assim baptizada por causa do pavimento que inicialmente teria sido em tijolo, tal como a da famosa "brickyard" nos Estados Unidos, mas a curva tem uma inclinação bem acentuada, tanto que se nos situarmos a meio, os carros quase que desaparecem.

Será que o nome desta curva vem do conjunto dos dois factos? O pavimento inicial e da inclinação? Seja qual for, eu também a teria baptizado assim.

Mesmo por detrás do local onde estávamos existe uma casa e pensei "deve ser fabuloso viver aqui, principalmente neste fim de semana".

Mulsanne e a credencial perdida

À meia-noite o Nuno tinha ido fotografar o pit-lane enquanto eu fui admirar a recta da meta vista das curvas Ford. Após chegarmos ao media-center fomos fotografar a curva Ford do lado do paddock com a roda gigante como fundo. A noite estava boa e a nossa pedalada era tanta que fomos a Mulsanne por sugestão minha, devia ser fantástico ver os discos incandescentes da travagem a pouco mais de 3 metros de nós. E assim foi, levámos duas Nikon com objectivas diferentes, cada um de nós levava a sua, Estava tudo a correr bem até que o Aston Martin nº60 foi à gravilha e o Nuno fotografou a sequência. Nisto pede-me a outra máquina, ao tirar a máquina de tira-colo a minha credencial caiu no escuro, estivemos ali algum tempo e regressámos ao media-center. Só dei por falta da credencial ao passar pelo controle de leitura dos códigos de barras junto ao paddock. Todos nós procurámos na "navette" e eu fiquei convencido que estava mesmo em Mulsanne. Entretanto pedi ao Nuno o colete e a credencial dele e rumei a Mulsanne. Quando lá cheguei fui falar com os comissários que tentaram de imediato procurar com a ajuda de uma lanterna. Entretanto outro comissário chegou junto de nós com uma lanterna maior e continuámos a procurar.

Nisto chegou junto de nós um fotógrafo que perguntou se tínhamos perdido algo, ao que eu respondi que sim, que tinha sido uma credencial, que tinha um autógrafo do Pedro Lamy e o fotógrafo perguntou "será esta? Encontrei-a ali junto aos rails". Foi um alívio, mandei logo um SMS ao Nuno a dizer que a tinha encontrado. Regressei ao media-center e com isto eram já cerca das 4 e meia da manhã, já o Nuno estava à minha espera para assistir ao nascer do sol na subida do arco Dunlop. Com isto tudo, o pessoal do EuroSport tinha estado lá a conversar com ele, a filmar o trabalho para os "Highlights" da prova, tal como os "apanhados" do pessoal a dormir por baixo das mesas de trabalho, nos corredores, e eu de castigo a procurar a credencial… (eh eh eh).

Eis outro momento fabuloso, assistir ao nascer do sol a meio da subida para o arco, como o arco está no topo da subida, não se vê o sol, porque está num plano mais baixo. Consegue-se ver o céu laranja com os carros a passar por baixo do arco, simplesmente maravilhoso.

5 - Domingo - O final da prova

Uma desilusão

Esperei pelas 9 horas para ir fazer umas comprar, uns bonés para uns amigos e uma T-Shirt para o meu filho. Fiquei impressionado que àquela hora as barraquinhas estavam cheias, havia de tudo, desde livros usados, novos, achei as miniaturas caras, precisamente as mesmas com que fiz a colecção da Planeta de Agostini pelo triplo do preço e sem o fascículo!!! Valeram os bonés e a T-Shirt que tinham o preço de tabela na internet e já contava com ele.

Ao regressar passei por dois contentores do lixo cheios de... pão, custou-me ver aquilo, quando ainda no dia anterior tinha pago 15€ por um cachorro e uma cola, e ainda por cima como fui às compras nem a máquina fotográfica levei... É algo que também não esquecerei.

As curvas Porsche e Arnage

Faltavam 4 horas para acabar a prova e ainda não tinha ido ver as curvas Porsche e Arnage.

Requisitei pela última vez o colete e fomos às curvas Porsche. Mais um local onde vale a pena ir, após uma conversa com os comissários do local, aconselharam-nos a ficar na encosta no meio do encadeado das curvas, pois por incrível que pareça a sequência esquerda-direita nos mais rápidos era feita em cerca de um segundo, fantástico, a prova disso é que com a minha humilde máquina apenas apanhava a pista ou simplesmente ficavam desfocadas. Entretanto o Nuno tinha que enviar mais fotos e eu apanhei de novo nova "navette", rumei de novo a Indianápolis.

A curva de Arnage tinha acesso via Indianápolis e ia-se a pé até lá. Uma curva a 90º para a direita onde se podiam observar algumas boas ultrapassagens. Entretanto estava a cerca de meia hora para devolver o colete, tive que regressar porque ainda tinha que esperar qua a "navette" regressasse para me levar de volta.

Tinha concluído a volta ao circuito. Faltou-me estar em plena recta das Hunaudières e na chicanne Michelin, mas segundo os condutores das "navettes" não faziam serviço para lá, talvez conhecendo melhor os acessos da florestal se conseguisse ver.

O final

O final da prova foi assistido no media-center, estava curioso de ver a invasão da pista. Mal foi mostrada a bandeirada e abertos os portões, surgiu um mar de gente quer a subir o pit-lane como a entrar em pista. Nunca tinha assistido a um final assim.

Foi a corrida da minha vida, tanto que os dois primeiros estiveram sempre na mesma volta, basta consultar as classificações horárias e ainda por cima como se de uma corrida de "sprint" se tratasse, afinal as 24 horas resumiram-se a 13.8 segundos… só lamento o que aconteceu ao Lamy, pois podia ter sido este ano, aí sim era a cereja no topo do bolo.

O regresso a Paris

Terminada a corrida regressámos à cidade de Le Mans para devolver o carro à companhia de rent-a-car, apanhar o TGV de regresso a Paris até à estação de Montparnasse. O cansaço era tanto que adormeci. Só me lembro de o Nuno me dizer "já chegámos". Fui o primeiro a sair do comboio, se fosse uma brincadeira podia ter corrido mal... o que valeu é que era a última estação. Saímos da estação do comboio em direcção ao hotel, ao chegarmos ao hotel "Concorde Montparnasse" o recepcionista disse que não tinha reserva em nosso nome, só faltava essa... quando reparou na folha da reserva, não era ali, era o Comfort Montparnasse.

Quando chegámos ao hotel correcto, o recepcionista disse "Monsieur Santos e madame Nono... soltei uma gargalhada e o Nuno disse "Mme o caralho... o senhor pediu desculpa mas devido à confusão... nova cama de casal para os dois... Tomámos um duche e fomos jantar. Fomos de Montparnasse ao Trocadero a pé, não se via ninguém na rua. Jantámos no restaurante L´Ancien, o jantar não foi propriamente barato, mas comparado aos 15€ de um cachorro...

Regressámos de táxi com passagem pelo Louvre.

6 - Segunda-feira - O regresso

Visita a Paris

Deixámos a bagagem na arrecadação do hotel às 11 horas e fomos passear a pé por Paris, afinal tínhamos tempo, o voo era só às 20 horas no aeroporto Charles de Gaule.

Iniciámos a caminhada perto do a torre de Montparnasse pela "Rue des Rennes", "Rue Bonaparte" em direcção ao rio Sena, atravessámos a "Pont des Arts" que tem a particularidade de estar cheia de cadeados, demos a volta ao Louvre, "Jardin des Tulienes", subimos a "Av. des Champs Elysées" até ao Arco do Triunfo, descemos a Av. George V de novo em direcção ao rio até ao "Pt. de l'Alma" (túnel onde faleceu a Princesa Diana), continuámos sempre junto ao rio até aos jardins do Trocadero, onde tirei uma foto panorâmica da Torre Eiffel. Nos jardins do Trocadèro tivemos mais uma situação caricata, quando vi-mos duas raparigas, uma delas "gordinha" e a outra "esquelética", nisto não me contive e comentei: "irra, a gaja é mesmo esquelética... nisto elas sentam-se na relva perto de nós e uma delas diz para a outra: "tiras-me uma foto?"...

No Trocadero fomos também "apanhados" por uma procissão enorme. O padre devia estar com uma "moca" enorme por causa do incenso, aliàs, com o fumo já estávamos a ficar "atravessados"... Atravessámos de novo o rio pela "Pont d'léna" em direcção à Torre Eiffel, voltámos ao rio, seguimos até à "Pont de l'Alma" onde atravessámos de novo o rio, continuámos junto à margem até à "Pont Alexandre III" também conhecida pela ponte dos inválidos. Pela primeira vez vi àrvores quadradas... Voltámos a atravessar o rio onde apanhámos um táxi de novo até ao Hotel.

Gostei imenso da ideia do aluguer das bicicletas. As ruas têm parques com bicicletas que se podem alugar pelo tempo que se desejar, e quando se chegar ao destino basta colocá-las de novo nos parques a elas destinados.

Não tivemos mais tempo, porque tínhamos que ir para o aeroporto. Mesmo assim fizemos cerca de 12Km. Nada mau…

Regresso a Lisboa

O voo saiu à hora marcada, às 20 horas e o tempo estava encoberto com chuviscos, o que fez com que a viagem não fosse tão agradável porque durante o dia só se viam núvens que mais pareciam gigantescos blocos de algodão. O restante foi feito já de noite.

O ponto alto da viagem foi quando o avião rumou à margem sul e fez-se à pista com uma inclinação de cerca de 45º sobre o rio tejo, foi fantástico.

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