Resumo da corrida

Resumo da corrida

 1954  1956 

O 11 de Junho de 1955 foi um dia funesto em La Sarthe. No entanto, tudo começou de rnaneira resplandecente com um dia quente, e o campeonato do mundo de marcas criado dois anos antes fazia antever uma prova particularmente aliciante.
 

Com três Ferrari 121 LM da Scuderia, três Jaguar D vindos de Coventry, três Mercedes 300 SRL inscritos pela Daimlet Benz, três Aston Martin DB 3 oficiais e três Porsche da equipa KG, eram muitos os pretendentes à vitória. A corrida arrancou desenfreadamente com Eugenio Castelloti (Ferrari 121LM) e Mike Hawthorn (Jaguar Type D) a escaparem-se logo à partida, e uma equipa Juan Manuel Fangio/Stirling Moss com uma péssima largada no temível Mercedes 300 SLR. Estes três carros arriscaram golpes de sorte durante mais de duas horas. Fangio tinha alcançado Hawthorn há já algum tempo e os bólides dos dois pilotos ultrapassavam-se repetidamente: o Jaguar é rápido em linha recta enquanto o Mercedes faz maravilhas nas curvas graças à sua travagem aerodinâmica. Castelloni mostrava-se incapaz de acompanhar a pedalada. Para se fazer uma ideia da velocidade a que se corria basta dizer que Pierre Levegh (aliás, Pierre Eugène Alfred Bouillin), ao volante do seu Mercedes 300 SLR de fábrica, foi apanhado por Howard e pelo seu Jaguar D quando ainda se encontrava na sexta posição! Quando chegou o momento de reabastecer, Hawthorn preparava-se para passar pelas boxes (em bom andamento, já que não havia curvas depois de Maison Blanche) com Levegh na sua peugada que acabara de ultrapassar e, 200 m atrás, seguia Fangio que recuperava como uma bala. O Jaguar passou pela esquerda do Austin Healey de Lance Macklin que saiu (prematuramente?) da sua boxe, e que depois abrandou para reabastecer (as boxes situavam-se à esquerda da pista). Surpreendido pela manobra e também pela diferença de velocidade entre os dois carros, Macklin deu uma guinada no volante para a esquerda rasando as barreiras colocadas ao longo da pista. Mas Levegh chegou como um furacão e não conseguiu evitar aquele funil. Só teve tempo para erguer o braço para avisar Fangio (que afirmará mais tarde ter ficado a dever a sua vida a este gesto desesperado), antes de o seu Mercedes bater na traseira do Austin para se esmagar a seguir na berma a uma velocidade que rondava os 250 km/h. O piloto teve morte imediata. O capot, a caixa de velocidades e o motor e depois todo o trem dianteiro da «Flecha de Prata» voaram em direcção ao público como projécteis mortíferos. o Automobile Club de l'Ouest teve a ideia sensata de deixar acabar a corrida: os milhares de espectadores em trânsito teriam certamente atrasado os socorros já submersos na vastidão do desastre. O balanço foi trágico. Oficialmente, contaram-se 82 mortos, tanto no local como nos dias que se seguiram. A partir de então, os organizadores começaram a tomar sérias medidas de segurança nos circuitos de automóveis, a começar pelo de La Sarthe. Resta acrescentar que Juan Manuel Fangio e Stirling Moss, que lideravam a prova às 2 horas da manhã, desistiram depois do abandono oficial da Mercedes que regressou imediatamente a Stuttgart com os dois 300 SLR sobreviventes. Para a Jaguar, que encetava uma série de três vitórias consecutivas, esse ano também foi inquestionavelmente negro: o filho de William Lyons (o criador dos Jaguar) morreu na estrada a caminho de Le Mans.

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