Resumo da corrida

Resumo da corrida

 1969  1971 

Assistia-se à escalada possante da Porsche já há, vários anos. Derrotada por um fio em 1969, a fábrica de Stuttgart veio a Le Mans pronta como nunca para a vitória final. E ela não lhe escapou, abrangendo todas as categorias.
 

Vic Elford fez rebentar o recorde da volta mais rápida a uma média de mais de 240 km/h, mas o recorde de distância ficou longe de ser batido por causa do verdadeiro dilúvio que se abateu sobre La Sarthe a 13 e 14 de Junho de 1970. A Ford retirou-se, mas a Ferrari regressou em força com os seus 512 (5 litros, 12 cilindros em V). Dos onze 512, quatro foram oficialmente inscritos por Maranello. Com cinquenta e um carros à partida, assistiu-se a uma grelha digna dos melhores anos. A partida tradicional foi alterada: em vez de atravessar a pista a correr, cada um dos pilotos encontrava-se dentro do seu automóvel, e, pela última vez, alinhados em espinha. Outra modificação do regulamento incidia sobre o tempo de rodagem atribuído a cada piloto, que não podia exceder as catorze horas no total e as quatro horas de seguida. A Porsche vinha acumulando vitórias desde o começo da temporada; Daytona, Brands Hatch, Monza, Spa-Francorchamps. Os 917 pareciam realmente a arma absoluta. Alguns espectadores ficaram decepcionados com Steve McQueen - que deveria fazer equipa com o carismático Jackie Stewart -, proibido de correr pela sua companhia de seguros! Mas não deixou de se incorporar uma câmara num Porsche 908 americano para captar algumas cenas do filme Le Mans. Na categoria Protótipos, a Matra surgiu com dois M650 e o novíssimo M660 que ficou nas mãos de Jean-Pierre Beltoise e Henri Pescarolo. Também se destacava o novo Porsche 914 inscrito pelo importador francês Sonauto e pilotado por Chasseuil/Ballot-Léna na categoria GT.

À partida, o duelo Porsche-Ferrari prometia muito, e assistiu-se a uma bela disputa entre os 917. Mas depressa as trombas de água que caíram sobre Le Mans decapitaram os Ferrari, já que cinco deles foram eliminados em apenas duas horas. Os três Matra também abandonaram, um atrás do outro, à sétima hora da corrida. O reinado da Porsche nas 24 Horas de Le Mans começava assim em verdadeira apoteose. Com 23 veículos inscritos em todas as categorias, os alemães fizeram uma razia. Venceram todas as provas: da distância com o 917 de Herrmann/Attwood, Grande Turismo com o 914 (menos rápido, contudo, que o 911 S de Ballot-Léna/Chasseuil), e do rendimento energético com o 917 LH (cauda longa) de Larrousse/Kauhsen (38,641litros aos 100 km, 940 kg, índice 0,89). O Porsche 914 S de motor de 2 litros e o Chevrolet Corvette travaram uma verdadeira corrida dentro da corrida. Mas o Chevrolet torna-se muito difícil de pilotar debaixo da chuva por causa do seu motor monstruoso de 7 litros. Devido ao número de voltas que lhe impuseram, o americano acabou a prova como primeiro dos nove não classificados, que não deixaram por isso de atravessar a meta.

No meio desta hecatombe, a Porsche assentou finalmente a primeira pedra de um edifício que se tornaria monumental em Le Mans. Mas ainda não foi a primeira de uma longa série, porque, a partir do ano seguinte, os inesquecíveis Matra iriam fazer lembrar aos seus detractores o seu óptimo desempenho.


Lendas de Le Mans
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