«Eu e o Dragoni nunca estivemos de acordo. O grande problema é que ele é italiano e eu não tenho a nacionalidade certa. As coisas tiveram o seu desfecho esta manhã. O Dragoni perguntou-me se aceitava que o italiano Ludovico Scarfiotti se tornasse piloto de reserva para os três carros de trabalho da Ferrari. Eu e o Mike Parkes aceitámos. Fiquei perplexo quando cheguei e vi três nomes pintados no carro que eu e o Mike íamos pilotar. Quando confrontei o Dragoni, ele disse algo sobre eu não estar suficientemente apto para terminar a corrida. Disse-lhe para não dar desculpas esfarrapadas. A resposta dele foi: Aceita ou vai-te embora. Escolhi ir-me embora. Viemos aqui para vencerv os Ford. Quando se estão a passar coisas nas boxes que tendem a instigar problemas entre os pilotos, isso não é a minha ideia de um esforço de equipa.» |
| «A Ford não queria que Ken ganhasse em Le Mans. Queriam que os títulos dissessem "Ford vence Le Mans", e não "Miles torna-se o primeiro a vencer Daytona, Sebring e Le Mans". O Ken disse-me que, independentemente da decisão da Ford, não terminaria em segundo lugar.» |
| «Eu queria que a Ford ganhasse. Chamámos o Ken e convencemo-lo de que o Bruce e o Chris venceriam. Acho que mereceram a vitória. Fizeram uma boa corrida e seguiram as indicações que tínhamos pedido.» |
| «Pensámos que tínhamos ganho e tentámos empurrar o carro até ao pódio. Os fiscais franceses pararam-nos e disseram que não tínhamos o direito de estar ali, que tínhamos ficado em segundo. O Ken estava sentado no carro e disse-me: "Acho que me foderam." Tínhamos a impressão de que, apesar da posição final, estávamos uma volta à frente.» |
| «Nas boxes, corria o rumor de que a Ford achava que Ken não tinha seguido as ordens da equipa e forçado Gurney ao limite, levando-o a partir o carro. Isso era uma completa treta. O Ken seguiu as instruções à risca. Quando parou nas boxes na primeira volta para reparar a porta, Ken perdeu várias posições. Depois de regressar à corrida, teve de se esforçar ao máximo para recuperar o segundo lugar, atrás de Gurney. Era ali que ele deveria estar.» |
| «Quando Walt (Hansgen) passou pelas boxes, estava demasiado rápido para conseguir passar por baixo da Ponte Dunlop. Eu e o Chris Amon olhámos um para o outro e o Chris disse algo como: "Meu Deus, espero que ele consiga resolver isto". Não o conseguiu, claro, e isso custou-lhe a vida. Eu já estava a correr em direção ao local do acidente. Walt estava com a cabeça nas nuvens naquele dia e acabou por se matar. Eu estava a observar o carro por razões óbvias, mas acho que o Chris também estava a observar porque o Walt estava a ir demasiado rápido para as condições da pista.» |