1955 «Embora Moss fosse o especialista em largadas de Le Mans, decidi pilotar no primeiro turno porque era uma corrida de 24 horas, não um sprint. O nosso chefe de equipa, Alfred Neubauer, não me deu qualquer instrução para a corrida, mas antes da partida cuspiu várias vezes para o chão para me desejar boa sorte. Não adiantou de muito no início, porque quando entrei no carro, a alavanca da caixa de velocidades ficou presa nas minhas calças e saí na última posição do pelotão.» |
1955 «O Jaguar não era realmente mais rápido que o Mercedes, apesar de ter 3,5 litros contra os nossos 3. Tínhamos o travão aerodinâmico, que era fantástico! A 250 km/h, quando o acionava, era como ser empurrado para trás. Uma vez, saindo da Tertre Rouge para a recta Mulsanne, esqueci-me de o baixar e não conseguia perceber porque é que o raio do carro não respondia! Era realmente maravilhoso, quando usado corretamente...» |
1955 «Percebi porque é que a Mercedes decepcionou, porque teríamos tido uma vitória muito fácil. O carro estava a melhorar cada vez mais.» |
1955 «O Levegh salvou-me. O Levegh salvou-me a vida. Só tínhamos mais algumas voltas para dar - Levegh, Kling e eu - antes de pararmos nas boxes da Mercedes para reabastecer e trocar de piloto. Conduzia a mais de 260 km/h quando, quase assim que chegámos à primeira box que vi, a apenas cinquenta metros à minha frente, Levegh levantou subitamente um braço. Ele estava a sinalizar-me um perigo que eu não conseguia ver. Travei, mas àquela velocidade não havia como parar em poucos metros. Tudo aconteceu tão rápido que não consegui perceber a cena na totalidade. Vi o carro a ir para a minha esquerda, enquanto o Austin-Healey de Macklin/Leston foi atirado para a direita. Como consegui passar e evitar Macklin, não sei. Foi pura questão de reflexos. Tudo o que posso dizer é que consegui evitar o Austin-Healey no momento em que entrei numa nuvem de fumo vinda da minha esquerda, que, infelizmente, era do carro de Levegh, como descobri mais tarde.» |