Resumo da corrida

Resumo da corrida

 1936  1938 

Entusiasmado com o sucesso obtido na décima terceira edição, o Automobile-Club de l'Ouest (ACO) esmerou-se na preparação da edição de 1936. Estava tudo a postos para uma prova que se anunciava grandiosa. O azar, porém, espreitava o evento.
 

A partir de 1923, ano da criação das 24 Horas de Le Mans, a prova, apesar de já contar com alguma experiência, continuou a desenvolver-se ano após ano. O público pôde ver as infra-estruturas melhoradas e tudo estava a postos para se assistir a um espectáculo tão lúdico quanto palpitante. As tribunas judiciosamente colocadas diante das boxes deixavam ver tudo ao pormenor e a cidade oferecia festas populares e muita animação. A sonorização colocada em pontos estratégicos do tracado permitia seguir a corrida em tempo real e os media cobriam o acontecimento com uma retransmissão cada vez maior. Além disso, o ano de 1935 assistiu a um número recorde de participantes e a participação das marcas francesas foi mais um motivo para encorajar as equipas e os pilotos. 1936 anunciava-se magnificiente com as inscrições da Peugeot, Delahaye, Citröen, Bugatti, Delage e até da Chenard et Walcker, a heroína da primeira edição. Mas a vitória da Frente Popular nas eleições legislativas de 26 de Abril e 3 de Maio desencadeou um vasto movimento grevista por todo o país. Entre Maio e Junho, a França registou mais de 6 milhões de grevistas. Com o bloqueio das fábricas de automóveis, a ACO viu-se pura e simplesmente obrigada a anular a edição de 1936.

Mais do que nunca, pilotos e máquinas ansiavam pela edição de 1937. Mas o número de participantes não atingiu os valores da edição anterior. Eram quarenta e nove os carros na grelha de partida. As marcas francesas voltaram a marcar presença e surgiu na prova o primeiro BMW. Outrra marca alemã, a Adler, com os Trumpf de 1700 cc, entre os quais o de Sauerwein/Orsich que terminaria em sexto lugar da classificação geral, com apenas 2 km de avanço sobre o Aston Martin 1.5 litros de Skeffington/Murton Neale. No entanto, o que ficou na memória foi o acidente terrível de Maison Blanche. Na oitava volta, deu-se um choque em cadeia de seis automóveis causando duas vítimas mortais «Rekip», aliás René Kippeurt que pilotava o seu Bugatti 44 pessoal, e Pat Fairfield que conduzia o nº28, um dos dois BMW inscritos. Mas, como sempre, a corrida prosseguiu. O Bugatti Tank (cujo perfil era o de um autêntico carro de assalto), conduzido palas mãos de mestre de Wimille e Benoist, mostrar-se-ia literalmente intocável. Ao percorrer mais 280 km que o Lagonda vencedor de 1935, também pulverisou o recorde da volta mais rápida, fazendo-a passar de 5'47" para 5'13", ou seja, a uma média de 155 km/h em vez dos 135 km/h anteriores. Com os Delahaye a completar o pódio, a bandeira francesa drapejou alta no céu de La Sarthe nesse ano de 1937.


Lendas de Le Mans
Planeta de Agostini
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