Notas Soltas

Notas Soltas

 1981  1983 

- O Mirage Ford tripulado por Mário Andretti e pelo seu filho Michael, patrocinado pela Pioneer, foi impedido de alinhar à partida das 24 Horas, depois dos comissários técnicos terem detectado dois radiadores de óleo colocados irregularmente, em falso, atrás da caixa de velocidades, quando deveriam estar solidários com a carroçaria.
   A equipa americana foi informada da irregularidade e da necessidade de o carro ser posto conforme os regulamentos. Contudo, John Horsmann, o patrão da Mirage argumentou de pronto que o carro já se encontrava assim durante as verificações técnicas e que o aviso surgia tardiamente, pelo que não haveria tempo de pôr em ordem o carro antes da corrida.
   Face a isto os responsáveis do Automobile Clube de L'Ouest viriam a afirmar que o facto não fora detectado durante as verificações técnicas porque o carro não apresentava os radiadores durante as verificações.
   Apesar do aviso, o Mirage apresentou-se na grelha de partida com os radiadores ilegais pelo que foi de imediato conduzido ao padock pela organizaçãoda prova, que informou o primeiro reserva (o Porsche 924 de Rousse) para tomar lugar na grelha de partida.
   Quando tudo parecia encerrado, às 17 horas (uma hora depois da largada) os mecãnicos da Mirage transportaram o carro para as boxes, já reparado numa tentativa de tomar lugar na corrida. Se tal viesse a acontecer seria, pelo menos, bizarro, mas a tentativa compreende-se se tomarmos em atenção que a Pioneer investiu nesta operação cerca de 35 mil contos (na moeda de hoje seria cerca de 175.000 €), mas os regulamentos são para serem cumpridos...
   De qualquer maneira foi uma pena que o carro dos Andretti não tivesse tomado lugar na grelha de partida pois o seu desempenho nos treinos foi interessante, com Mário a rolar para obter um tempo e regulando o Mirage para o filho que se aproximou bastante dos tempos obtidos pelo ex-campeão do Mundo, embora não se compreenda bem como a equipa caiu neste «erro».
AutoSport (Portugal)


- As verificações técnicas em Le Mans são algo de moroso e complicado. São estipuladas várias fases por onde os carros vão passando para serem vistos por cima e por baixo, medidos, pesados, vistos e revistos, pelo que não é de estranhar que cada concorrente perdesse cerca de quatro ou cinco horas por viatura, embora o presidente dos comissários técnicos afirmasse estar mais interessado em fazer cumprir o espírito do regulamento do que obrigar ao seu cumprimento escrupuloso.
AutoSport (Portugal)


- Este ano, a partida foi dada por Luigi Chinetti, convidado especial da organização.
O homem baixo e idoso, vestido com uma gabardina beige que faz parte do seu vestuário quotidiano, que baixou a bandeira francesa no início da corrida, festejava-se igualmente o quinquagésimo aniversário da sua primeira participação em Le Mans, prova onde correu quase sem interrupção entre 1932 e 1953, alcançando três vitórias, que no seu tempo foram um recorde que só veio a ser batido por Gendebien e posteriormente por Jacky Ickx.
A partir de 1958, até hoje, a presença de Chinetti em Le Mans continua a ser assídua, embora na qualidade de patrão da equipa NART.
AutoSport (Portugal)


- No circuito françês estiveram representados quase todos os fabricantes de pneus, desde a Michelin à Goodyear, passando pela Goodrich, Avon e mesmo alguns pequenos fabricantes. Mas a presença mais significativa era marcada pela Dunlop, que equipava cerca de 30 a 55 carros que tomaram parte na corrida, de entre os quais se salientavam os Porsche oficiais, os de Joest e Kremer, os Rondeau oficiais, o Dome, os Mazda, os Lancia Beta e alguns BMW.
Para fazer frente a esta solicitação, a Dunlop deslocou a Le Mans seis técnicos, 15 montadores de pneus, três camiões-oficinas e três camiões de carga que transportaram mais de três mil pneus.
AutoSport (Portugal)


- A busca do efeito de solo é neste momento uma das grandes preocupações dos concorrentes empenhados no Mundial de Resistência. Entre os carros presentes, sobressaia neste campo a marca Lola, que se apresentou como a mais evoluída. Bastará dizer que as soluções adoptadas a nível da colocação da suspensão por forma a canalizar o ar para a traseira sem obstáculos, são tão originais que na Fórmula 1 - o reino do efeito de solo - apenas o novo Ligier JS 19 utiliza um esquema semelhante.
AutoSport (Portugal)


- Um dos Rondeau privados era patrocinado pelos perfumes Alain Delon e, para a companha de promoção, Mireille Darc tinha que se deslocar de Nice até Le Mans, só que os aeroportos franceses estiveram practicamente fechados durante o sábado devido a intensos nevoeiros e, sobretudo pelos ventos que se faziam sentir.
Mesmo assim, perdida a esperança dos transportes regulares a francesa «agarrou» um piloto particular em Nice, a quem ofereceu tanto quanto ele quisesse para a transportar a Le Mans, pelo que se pode dizer que a publicidade não tem preço.
AutoSport (Portugal)


- Os March equipados com motores Chevrolet foram os carros que tiveram mais problemas durante as verificações técnicas, onde foram recusados por três vezes por não conformidade da parte inferior da carroçaria e pela pouca altura ao solo que apresentavam.
Chegou-se mesmo a pensar que os carros poderiam ter que ser afastados, mas a equipa de mecãnicos logrou resolver os problemas, embora os carros acabassem por ficar penalizados, sobretudo no campo da estabilidade.
AutoSport (Portugal)


- O folclore da prova é quase tão importante como ela, pelo que para além da guerra desportiva que os carros travam na pista, os sponsors degladiam-se na tentativa de captar a atenção dos espectadores e jornalistas presentes para os seus produtos.
Se Ickx e Bell foram os vencedores da corrida, a «Hawaiian Tropic», que patrocinava uma equipa americana, foi o sponsor mais notado, pois muito dificilmente as «pin-up» importadas dos States poderiam passar despercebidas, sobretudo devido ao seu traje fresco, próprio para o calor que se fazia sentir na edição deste ano.
AutoSport (Portugal)


- Os problemas evidenciados desde os treinos pelos Rondeau levaram a equipa local a uma sessão de treinos no aeródromo contiguo ao circuito. Como os pilotos da equipa tinham que descansar para a corrida. Keith Greene (o director da equipa) colocou o capacete de Gordon Spice e tomou o volante para um serão que durou 14 horas.
Depois de um esforço destes ao volante de um carro com as características do Rondeau, a única coisa que podemos dizer é que director sofre...
AutoSport (Portugal)


- Os irmãos Kremer deram uma nota curiosa ao carro que prepararam para a Interscope, decorando com humor as jantes. Para além das mensagens de parabéns pela quinquagésima edição de Le Mans, sobre a satisfação de Field e Ongais como pilotos, também havia agradecimentos aos patrocinadores e ao número de participações que a Kremer alcançou na prova francesa.
AutoSport (Portugal)


- Uma das novidades desta edição das 24 horas, foi a possibilidade concedida às equipas de poderem dispor de uma sessão de treinos não cronometrados, a exemplo do que se faz na Fórmula 1.
Esta sessão destinada a verificar a regulação dos carros para a partida, ajuda a quebrar os tempos mortos para os espectadores.
O período de tempo compreendido entre a 11h45 e as 12 horas foi utilizado por diversas equipas como a Rondeau que após Pescarolo cumprir várias voltas ao circuito, decidiu trocar o motor Cosworth por um novo, que as más linguas afirmavam que só tinha chegado sobre a hora devido a problemas financeiros.
Durante estes treinos o BMW M1 ficou parado no circuito enquanto o Dome partiu a traseira depois de um «encontro de primeiro grau» com os rails.
Mas, quase todas as equipas dedicaram-se sobretudo às regulações da pressão dos turbos que após os treinos de qualificação tinham de baixar de pressão para fazer face às imposições de consumo.
AutoSport (Portugal)


- Nos treinos Ralph Kent-Cooke bate nos rails junto à entrada das boxes porque ao subir um corrector ficou sem efeito de solo e descolou.
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- Harald Grohs bate nos rails em Mulsanne destruindo por completo o 935, não participando na corrida, interrompendo os treinos em 3 quartos de hora.
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